Os fantasmas do passado

Decidi sair de casa com a família com o propósito de resolver alguns ”assuntos pendentes”. No regresso para casa, passei pelo histórico LARGO I DE MAIO, local onde foi proclamada a entrada de Angola na era da liberdade na qual todos os seus filhos deveriam com ideias e ações contribuir para o seu desenvolvimento.
Ora, quando me aproximei do local, notei um cinturão policial, acompanhados de cães ao redor do Largo da Independência.
Enquanto mantive o olhar fixo nos ”agentes da manutenção da ordem”, questionava-me sobre o motivo da presença dos mesmos, por ser incomum ver um número significativo de polícias no local. Além disso, não houve, durante a semana, manifestação alguma de intenção/desejo de realização de manifestação, seja por que motivo for, que justificasse a presença da POLÍCIA DE CHOQUE ao redor do Largo, seja para proteger os manifestantes, ou ainda para baixar o bastão aos ”inimigos da paz” – qualificativo atribuído aos críticos do Executivo.
Passou-se um minuto e lembrei-me da data/dia em que nos .encontramos, 27.25, e do seu significado que ela tem para o País em geral, e, muito particularmente, para os envolvidos no acontecimento de má memória.
A possibilidade de realização de uma manifestação,’na sequencia do envio da missiva ao faraó angolano com o propósito de atribuição de Certidão de Óbito aos órfãos dos ”desaparecidos” neste dia e a indicação dos locais onde poderão ser encontradas as ossadas das vítimas (Carlos Pacheco fala das ”OSSADAS POR DESENTERRAR); não subestimando ainda o aproveitamento político que em época eleitoral que se pode tirar de uma manifestação associada ao 27 …, tudo isto e muito mais poderão ser os motivos pelos quais se poderão justificar a presença do cinturão policial no LARGO I DE MAIO.
E se tivermos em conta a palestra/conferencia realizada na antiga ”metrópole” centrada nos acontecimentos ocorridos há justamente 40 anos, há motivos para que a suspeita/hipótese se aproxime da motivo real da cobertura do referido local pelos JAGUNÇOS sempre dispostos para cumprir mais uma ”nobre missão” a qual se juntaram outras tantas que constam do curriculum.
Ao que parece, angolanos há que desde o 27.05.1977 deixaram de ter noites tranquilas, havendo alguns para os quais o dia e a noite são a mesma coisa. Ou seja, um momento de pesadelo que parece não ter fim.
MORAL DA HISTÓRIA: quando não o homem não se reconcilia com o passado, quando o mesmo teima em não aprender com os erros do passado, a tendencia é viver acorrentado por ”fantasmas” que mais ninguém vê senão mesmo ele.
Portanto, o melhor será submeter-se a uma terapia por formas a libertar-se das TREVAS DO PASSADO. Porque do contrário, a LOUCURA não tardará a chegar.

….no nosso dia

… é quase impossível não pensar na geração de Cheikh Anta Diop, Ki-Zerbo – só para citar estes, e no seu contributo a luta libertação de África que deverá ser consolidada no presente; impossível será igualmente não pensar no sofrimento de milhões de africanos, no afropessimismo decorrente de um passado no qual o africano foi subestimado, ou seja, brutalizado física e psicologicamente, estando a vista os efeitos produzidos pela política colonial, implantada na África colonial, seguida, até certo, no pós-independência pelos líderes africanos. (A questão do assimilacionismo entranhado em nós e os complexos com os quais transitamos do período colonial ao pós-colonial, etc., etc.)
E se introduzirmos outro elemento – o desenvolvimento – teremos que abordá-lo na perspetiva endógena. Relativamente a esta questão, dizer que as muito sofriadas populações africanas, em geral, são portadoras de um saber endógeno, isto é, um conhecimento que, apesar de não terem sido registados nos livros científicos – eles são memorizados e transmitidos oralmente – deveriam ser estudados e aperfeiçoados para que se atinja melhores resultados com a sua utilização.
São os casos, entre outros, das ”receitas” de certas doenças como a GIBA e o MAKULO, que apesar de não terem sido estudadas, revelam-se TREMENDAMENTE EFICAZES NO TRATAMENTO DAS REFERIDAS DOENÇAS.
Mergulhar na cultura africana e retirar dela os elementos susceptíveis para a criação de um ”modelo de desenvolvimento endógeno”, continuará a ser o papel do Intelectual africano (Viriato da Cruz falava do Intelectual Negro e das suas Responsabilidades) que deverá assumir a dianteira na procura/pesquisa de ”soluções” para os problemas que afligem o continente africano.
Isto porque ”ninguém desenvolve ninguém”, portanto, ”sejamos nós mesmos” a trilhar a caminho rumo ao tão desejado e propalado desenvolvimento.

Que os políticos sabem iludir as pessoas, fazendo-as crer no impossível, isto já se sabe. voltaremos a este tema dentro de alguns instantes

Crescemos dentro da Igreja e por ela somos educados e levados a crer na existência do Paraíso como recompensa para todos aqueles que cumprem com os princípios plasmados na Bíblia. Apesar de este ligar nunca ter sido visto por ninguém (fala-se também do céu como local para onde vão os ”bem-aventurados”), acreditamos piamente na possibilidade de um dia podermos habitar nele eternamente e desfrutar das incontáveis e indescritíveis maravilhas que nele existem, segundo nos diz o Livro Sagrado.
A crença está tao enraizada ao ponto de sermos capaz de nos insurgir contra todos aqueles que de alguma forma procuram desviar-nos do caminho que seguimos em direção a esta benção de valor inigualável e incomparável.
Além disto, em algum momento duvidamos de que somos enganados por quem escreveu as Sagradas Escrituras, tampouco ainda pelos mensageiros da Palavra acolhida nos nossos corações.
Por ela vivemos e decidimos morrer na esperança de encontrarmos no além algo muito mais precioso e acima dos bens materiais não alcançados neste mundo.
É esta a força e o poder exercido que a religião exerce sobre a mente do homem que vive em função das crenças que lhe foram transmitidas e que adotou ao longo da sua vida. Faça sol, chuva, terramoto, trovoada e ainda que um outro fenômeno natural marque presença, o homem continua fiel aos seus princípios.
Todavia, enquanto vivos, convivemos com uma senhora poderosa cujo nome é por demais conhecido: a política.
Tao poderosa que, ainda que procuremos nos distanciar dela, somos influenciados por ela. A Cédula do Nascimento, Bilhete de Identidade, e tantos outros documentos que possuímos e que serão tratados no futuro, fazem do seu campo de atuação.
O seu exercício visa o alcance do conhecido ”bem comum” que, verdade seja dita, mais parece ”um bem privado”, logo, detido por uma casta de privilegiados que dita o rumo da maioria. O descontentamento desta é algo perigoso, quando nada se faz para atender as suas necessidades. Há que tomar medidas para solucionar o problema. E se houverem exemplos, a Venezuela será o modelo a seguir. Neste País, a criação do VICE MINISTÉRIO PARA A SUPREMA FELICIDADE DO POVO, pelo presidente Nicolas Maduro (mais parece imaturo do que realmente maduro) é qualquer coisa que motiva o crente a refletir sobre a seriedade e credibilidade do político e em torno da sua sanidade mental.
Porque, se de um lado o crente, ainda que em situações críticas, conserva a sua fé (ver o caso de Moisés diante do Mar Vermelho quando os egípcios vinham armados para brutalizar os judeus), do outro lado, o cidadão comum, por mais educado que seja, esquece-se dos bons princípios quando fustigado e violentado pela fome e a secura.
O resultado está a vista de todos: assaltos às lojas, aos supermercados, emigração forçada, mendicidade, violência em crescendo,enfim. Uma sociedade sem rumo e valores. Estes foram substituídos pelos contra-valores.
Ainda assim, o político insiste em falar, discursar, prometer: ”O VICE-MINISTÉRIO ESTÁ ENGAJADO NA CRIAÇÃO DE CONDIÇÕES QUE VISAM O ALCANCE DA SUPREMA FELICIDADE DO POVO”. É a sensação de que o paraíso está mais próximo do que nunca e que, dentro de pouco tempo, os problemas deixarão de existir.
Recapitulando: ”os políticos sabem, e bem, vender ilusões”.