As memória do venerando juíz

Acompanhei, embora já tivessem transcorridos vinte minutos, a entrevista do venerando juiz conselheiro do TC, Onofre Santos concedida ontem à TPA 1, habitualmente conduzida pelo José Rodrigues e e mais um colega seu cujo nome será Juliao Paulo ou vice-versa.
Para um país como o nosso, onde o acesso ao conhecimento do seu passado constitui um direito que não pode ser negado à quem quer que seja, a entrevista do Dr. Onofre Santos é, um ”documento” importante através do qual as novas geração poderão ter noção, sobretudo, do que foi o período colonial e o que tem sido o período pós-colonial no qual nos encontramos.
Relativamente ao primeiro período, o que mais me interessa, por vários motivos, a sua análise pode realmente ser feita na perspectiva histórica e jurídica, neste caso, centrada na inexistência de quadro legal que, contrariamente ao que sucedeu nas ex-colónias francesas e inglesas, impediu que os movimentos políticos pudessem desenvolver as suas actividades. Atenção que não estou fazendo apologia da teoria insustentável do ”bom colonialismo”, que para alguns teria sido o holandês, defendida por quem orgulhosamente se apresenta como ”assimilado”.
O princípio acima mencionado aplica-se igualmente ao Acordo de Alvor (quantos professores de História do II ciclo o terão lido?). Aqui, a análise histórica e jurídica pode ser enriquecida com o conhecimento do contexto internacional marcado pela descolonização de África, a Guerra Fria e surgimento dos Países Não-Alinhados que terão ressuscitado na era da ”Globalização Hegemônica”.
Na verdade, existem várias fontes pelas quais se pode ter acesso a informação histórica e as entrevistas de testemunhas e de actores envolvidos com a causa nacionalista, transformadas em documentários, é uma delas.
Do José Rodrigues, o servidor do ”Café da Manha” e ao Guilherme Galiano (TV ZIMBO), apresentador do ”Memórias da Independência” espera-se que publiquem os depoimentos recolhidos nas entrevistas emitidas nos referidos órgãos de comunicação para que as novas gerações tenham mais luzes sobre o passado de Angola.
Que apoios sejam dados para que estes trabalhos sejam publicados.Pois, é o País quem ganha e as empresas citadas não deixarão de aumentar os rendimentos com a comercialização de um produto cultural de valor inestimável que é o documentário.

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