A megalomania e a fama de um futebolista africano

Ser graduado na academia como Doutor não é tao fácil assim. Que o digam aqueles que, por mérito próprio, conquistaram este grau. Para alcança-lo, é preciso trabalhar arduamente, confrontar inúmeros autores durante um debate que parece interminável, rebater argumentos, se possível, criar conceitos e trazer algo novo para que a ciência possa avançar.
Que o uso deste grau académico prestigia o seu detentor, que o grau em si impõe respeito, particularmente, no seio da academia, e em geral, na sociedade, disto não tenhamos dúvidas. Talvez seja este o motivo pelo qual alguns directores de empresas procuram afirmar-se diante dos seus subordinados, obrigados a trata-los como Doutores quando, em muitos casos, não passam de meros assinantes de papéis.
Na verdade, vivemos num mundo onde cada um a seu jeito procura impor-se, uns pelo que fazem, outros pelo nome. Em África, o cenário não é diferente. Nesta região do mundo onde Angola está localizada, o futebol continua a ser o ópio de muitos cidadãos que deslocam-se aos estádios para assistir a partidas de futebol que opõem as equipas que apoiam aos seus adversários.
Em campo, duas equipas: PROGRESSOXKABUSCORP. Esta última é capitaneada pelo Doutor Lami, jogador proveniente da RDC. Bem, que nunca jogador algum foi graduado como Doutor, isto já se sabe. Porém, no caso em análise, acredita-se que o futebolista em causa seja dono e senhor de qualidades invulgares.
Quando endiabrado, Lami, perdão, o Doutor Lami produz jogadas impressionantes em qualquer parte do mundo, impossíveis de serem descritas inclusive pelo mais conceituado jornalistas desportivo.
Diz-se que a recepção do esférico é por si só uma obra-prima digna de aplauso. Os fãs reverenciam-no como a um deus. Talvez sejam forçados a isto pelo jornalista que incansavelmente exalta as suas qualidades.
– Doutor Lami recebe o esférico, amortece no peito, mata a cocha, um cabrito, abre um túnel, Lami, Lami, Lami, entra na grande área é travado e cai. Penálti!!!Grande cavalgada de Doutor Lami.
Ruidosa, a galera ovaciona.
– Doutor Lami! Doutor Lami! Doutor Lami!
– Este jogador, é, de facto, uma dádiva divina, um regalo – remata o jornalista.
Nas sociedades onde o título académico parece ser mais importante que o trabalho, onde, muitas vezes, o valor real do profissional não corresponde com o grau acadêmico, ser doutor, ou aparentar sê-lo, é a estratégia usada por quem deseja impor-se e ser respeitado pelos seus pares. O Doutor Lami é apenas um caso. Como ele, existem tantos que nem adianta mencionar

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