Assunto de interesse público?

Quando um determinado povo prospera economicamente, aumenta a probabilidade para a aquisição de cultura vista na dimensão imaterial (conhecimento, arte, ciência, etc). Pois, nem só de dólares vive um povo. A mente precisa de ser enriquecida pelo consumo de bens imateriais.
Ora, por força da minha formação universitária, e levado pelo interesse de dialogar com os meus amigos, procurei saber destes se a ida/visita ao museu ainda faz parte do hábito de muitas famílias ou se ela acontece apenas por força dos deveres estudantis.
Ao levantar estas questões, pensei que o assunto fosse de interesse público, daí a ansiedade que tive em receber os subsídios dos meus amigos. Destes, nada recebi, para além do um silencio que até não consigo compreender o motivo que esteve na base desta indiferença.
Passou-se algum tempo, o jornalista ao serviço do Correio Angolense, Silva Candembo, desenvolveu um trabalho interessante que poderá até ter sido ”roubado” por um estudante de Antropologia ou de História que aspira o grau de licenciado atribuído, noutras paragens, somente à quem realmente trabalha e apresenta os resultados do seu trabalho numa monografia.
”A Cultura como Factor de Civilidade”, penso ser este o título da reportagem apresentada em duas ou três partes, é um trabalho feito por um jornalista que habitou-me a ler os seus trabalhos sobe desporto no Novo Jornal, órgão no qual presta a sua colaboração semanalmente.
Através da referida reportagem, ficou claro que os museus angolanos, sendo o mais famoso o de Antropologia, recebem poucas pessoas e que a visita aos mesmos não é um hábito entranhado no ADN do angolano.
Num País onde coexistem várias culturas, o museu, diz-nos o antropólogo Henrique Abranches na sua obra Identidade de Patrimônio Cultural, desempenha um papel importante na formação da consciência nacional, no combate ao tribalismo, ao racismo, por ser ele um espaço de representação das identidades culturais/locais que concorrem para consolidação da identidade nacional.
É ainda o museu um espaço no qual se conserva a memória colectiva, pelo que o ensino da História deve ser complementado pelas visitas à esta instituição.
A alma de um povo expressa o que nela existe de mais profundo neste espaço sociocultural que a todos pertence.
Todavia, a questão continua no ar: haverá ainda tempo para visitar o museu em plena era do facebook, ipads e companhia?

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