Cultural e politicamente falando

O confronto entre dois sobas é qualquer coisa que não se aconselha por as partes em ”conflito latente” estarem plenamente conscientes das consequências que um confronto desta dimensão poderá trazer para a aldeia.
Por este motivo, tanto um como outro preferem permanecer nos seus respectivos territórios, acompanhando apenas, de longe (sublinha-se) a forma como o outro exerce o poder no seu território.
”Eu não sou soba do Bailundo, por isto não posso mandar naquele território” – afirma o soba Mwyeba Ngunji.

Bicefália do poder

Na sua obra intitulada ”Lueji, O Nascimento de um Império”, Pepetela faz menção ao Estado Lunda, pré-colonial, no qual o soberano (Kondi) exercia funções político-militares ao passo que o sacerdote (Kandala) exercia funções religiosas. Estas tinham algum ascendente sobre aquelas.
Ora, a coabitação entre as duas figuras tem sido analisada pelos estudiosos do continente africano que falam do fenômeno da bicefália do poder (absoluto? ou partilhado?) na África pré-colonial que, apesar das dinâmicas registadas, conservou o legado transmitido pelo Egito onde o poder faraônico evitava exercer influencia sobre a classe sacerdotal.
A tentativa de o primeiro abocanhar o segundo provocava instabilidade…
O presente, como tempo em que os homens lutam pelo reforço do poder, tem ainda muito por aprender com o passado. Pois, como dizia Cícero, ”a História é mestra a vida”.

P.S – Se a chefia do Estado e a chefia do partido distinguem-se, se a primeira prevalece, tem ascensão sobre a segunda, poder-se-á dizer que para bom entendedor, uma ou meia palavra, basta

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