Língua e Literatura: o debate interminável

Em determinados círculos literários partilha-se a ideia segundo a qual a literatura angolana continuará a exprimir-se apenas em língua portuguesa, excluindo-se deste modo a possibilidade de se utilizar as línguas africanas na produção do texto literário.
O argumento em si fundamenta-se no facto de muitos poucas obras terem sido escritas em línguas africanas/nacionais, sendo de destacar a recolha e publicação dos textos orais em língua kimbundo feitas por Héli Chatelain, Cordeiro da Mata e Óscar Ribas.
A crítica que recai sobre este escritor fundamenta-se no facto de ter traduzido do kimbundu para o português os textos orais concebidos na referida língua, quando, segundo Virgílio Coelho, deveria evitar a tradução. Neste sentido, acrescenta o antropólogo, coartou a possibilidade de aos especialistas analisarem seriamente os textos orais…
O debate em torno da LITERATURA ANGOLANA DE EXPRESSÃO PORTUGUESA OU LITERATURA AFRICANA, relaciona-se com a língua como instrumento de trabalho do escritor e meio de expressão da cultura do povo, elemento de identidade cultural.
Uma vez que os estudos linguísticos em Angola não tiveram até o presente o desenvolvimento que registaram noutros países africanos, nao obstante existir em Angola a Faculdade de Letras (ela forma diplomados ou pesquisadores?) e o Instituto de Línguas Nacionais (conhece-se o trabalho produzido até aqui?), a prudencia aconselha que se considere LITERATURA ANGOLANA os textos orais, as suas versões escritas em línguas africanas e não-africanas, conforme afirma Luis Kandjimbo.
Mas, haverá motivo para que reflictamos ainda sobre a língua em que deve ser escrito o texto literário angolano?

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