Raça, cultura e nacionalidade

Tive a oportunidade de, há um ou dois anos, participar numa tertúlia realizada na Uniao dos Escritores Angolanos na qual o assunto, como nao poderia ser diferente, era a Literatura Angolana no período colonial.
Terminada a presentaçao do tema, abriu-se, como é costume, espaço para que a plateia pudesse intervir. Do meio dela irrompeu um jovem que referindo-se a Viriato da Cruz disse ele nao era angolano, que era inadmissível considerá-lo como angolano.
A resposta a este disparata nao tardou a chegar.
Bruno Alves, mestiço que chamo de «irmao branco», juntou-se ao coro de vozes que veementemente rebateu a tese do jovem que foi questionado como foi capaz de pensar tamanha barbaridade em relaçao ao autor de Só Santo e Makezu.
Envergonhado e isolado, o infeliz sentiu-se na obrigaçao de pedir desculpa pelo «pecado» cometido contra aquele que para muitos é considerado «o paradigma da literatura moderna angolana».
Na verdade, muitos sao os angolanos que confundem nacionalidade com raça e estas duas com cultura. Quantas vezes já ouvi pessoas dizendo que este ou aquele escritor ou político, filho de brancos, nao é angolano, mesmo sabendo-se que, além de ter nascido em Angola, identifica-se culturalmente como angolano?
E o que dizer da tia, uma mestiça, que aconselha o sobrinho, um negro, para que este case com uma latona ou ainda do jovem que resgatou do postibulo uma prostituta mestiça e tornou-a sua esposa e mae dos seus filhos?
– Quando o branco ver os meus filhos, eles serao admirados por ele, diz ele, todo orgulhoso pela trófeu conquistado.
Enfim, sao tantas, mas tantas as situaçoes que nos levam a pensar e a repensar sobre as «questoes de melanina» e o impacto que ela ainda exerce no imaginário do ex-colonizado.
Trata-se de uma questao que a todos interessa e que pode ser ultrapassada através de uma educaçao que nao alimente conflitos, mas, sim, por uma educaçao que promova a paz, a concórdia e a harmonia individual e colectiva

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