Vaidades e modismo do nosso tempo

Numa das crônicas escrita por Sousa Jamba, publicada no Novo Jornal, em homenagem a Gerald Bender o escritor citava-o como um acadêmico que tendo acompanhado a transição de Angola para o multipartidarismo mostrava-se preocupado com a sociedade angolana que dava mostras que no futuro os estudos e as ideias não teriam valor.
De facto, durante a minha adolescência ouvia frequentemente conversas nas quais dos intervenientes, meus amigos e vizinhos, diziam que não adiantava estudar porque, ainda que estudássemos, nunca seríamos valorizados e que o filho do ministro ou do PR herdaria o lugar do pai no Governo.
Com o advento da paz, e o surgimento de universidades privadas tal qual fast food (isto é, criadas ás pressas, daí a péssima qualidade do ensino), assistiu-se a corrida por uma vaga no seio destas e ao aparecimento, quatro anos após a conclusão do curso, de um ‘número incontável de Doutores que nunca sequer escreveram um artigo científico ou de opinião que pudesse ser publicado numa revista científica ou num pasquim como dizia o político.
Será que a História termina aí?
No meio desta azáfama, apareceram também os analistas, para uns, comentadores/comentaristas a debitarem argumentos sobre tudo e mais alguma coisa, não havendo reconhecimento da falta de domínio de determinadas matérias.
Bem, ficaria por aqui, porém, lembrei-me terem surgido também uns especialistas que volta meia ocupam espaço na mídia. Criaram-se também uns tantos ‘Comités de Especialidade”, não importa se o profissional é ou não competente no exercício da sua profissão.
Na verdade, ser analista político é hoje o objectivo perseguido por muitos estudantes universitários, particularmente dos cursos de R. Internacionais, Direito e C. Política. Analista económico?
Sim. Existem. Mas, o que está na moda, o que ”bate”. como se diz, é ser mesmo analista político. Ter prestígio, boa retórica, e ser aplaudido, isto sim.
Entende-se assim o motivo pelo qual cursos como o de História e Antropologia, para não mais falar de Filosofia, continuem a ser parente pobre no seio da juventude que a todo custo deseja ter boa vida após a conclusão do curso universitário.
Ter a licenciatura, mestrado, ou doutoramento é para muitos indivíduos condição indispensável para que se tenha automaticamente um cargo de chefia e mordomias invejáveis.
Resultado: vemos em muitas empresas doutorados e mestrados incapazes de escrever sequer um documento, ou ainda uma frase perceptível.
Angola, Angola, Angola. Para onde vais?

 

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