Transitar na escuridão

A transição de um ano para outro que ocorre no dia 31 de Dezembro de cada ano é um momento especial, de renovação da esperança e da fé de que o Ano Novo para o qual iremos transitar será melhor que aquele que apresta-se a chegar ao fim.

Esta crença acompanha praticamente todo o ser humano aumenta a escassas horas da passagem de ano durante o qual se esquecem os problemas porque passamos enquanto cidadãos de um País que queremos que progrida em todos os sentidos.

Tanto é assim que em plena euforia vivida enquanto festejamos a entrada num Ano Novo carregamos a utopia de que todos os problemas serão resolvidos, ultrapassados, agora que estamos noutro ano.

O ideal seria que este desejo começasse a ganhar corpo ou fosse alimentado logo no momento da passagem do ano em que o cidadão deseja que, no mínimo, os serviços e produtos básicos como o fornecimento da água e da energia, só para citar estes, lhe sejam fornecidos regularmente para que possa ter uma vida digna, normal.

Ao que parece, ainda estamos longo de ver este sonho realizado, razão pela qual preferimos usar o termo utopia por acharmos ser o que realmente traduz a desilusão de quem há escassas horas da transição para 2018 foi privado do fornecimento da energia eléctrica.

Sim. Se esta não tivesse sido a experiência vivida por nós, certamente não estaríamos aqui, logo no segundo dia do ano partilhando o inesperado com todos quantos a escassas horas da transição de ano desejaram-nos que fosse abençoada. Embora sejamos optimistas por natureza, factos como estes levam-nos a questionar a hora em que o fornecimento da energia eléctrica, da água potável, etc., deixará de ser um problema para ser aquilo que os cristãos consideram ser uma «bênção» que, por direito, deve ser usufruída pelo homem.

Transitar de um ano para outro às escuras é algo que não se recomenda a ninguém. Semelhante coisa se pode dizer para quem duvida da possibilidade de realização dos seus sonhos no Ano Novo para o qual transita. Contudo, determinados factos que ocorrem e que, directa ou indirectamente nos afectam, levam-nos pensar em sentido contrário.

É o caso do recentemente inaugurado ANGOSAT. Anos antes do seu lançamento falava-se de que com a sua entrada em funcionamento o País teria todos seus problemas resolvidos em matéria de comunicação. E a presença de ilustres e respeitáveis servos do Altíssimo entre os notáveis que se deslocaram à Rússia para testemunhar in loco o momento tão aguardado conferia solenidade ao acto com as habituais orações, aleluias e cânticos espirituais.

Em Luanda a expectativa era tanta e muitos terão sido aqueles  queno momento do lançamento da cápsula experimentaram uma sensação comparável apenas a de um intenso e deleitoso orgasmo!

Contudo, bastaram algumas horas para que a perda do controlo do satélite tivesse provocado um sentimento de indignação entre os cidadãos. Incrível esta capacidade de desiludir e frustrar as expectativas do cidadão!

Se por um lado, era expectável que tivéssemos feito um prognóstico positivo para este ano, do outro lado, não podemos deixar de reflectir sobre alguns factos negativos que ocorreram no final de 2017.

Desejar que 2018 seja um Ano Novo, é esperar que os velhos problemas sejam resolvidos. Portanto, o Novo Ano só poderá sê-lo na acepção plena da palavra se os velhos problemas forem resolvidos.

 

 

 

 

 

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