Pessimismo ou realismo?

Apesar da difícil situação financeira que o País vive, tivemos a oportunidade de, durante a campanha eleitoral, realizada em 2017, vibrar com a promessa do combate à impunidade feita pelo candidato do partido maioritário que viria com este a disputa eleitoral.
O entusiamo e a euforia popular mantiveram-se pelo facto de o País ter testemunhado a ascensão de um novo rosto no exercício do poder e pela frequência com que o mesmo falava do combate a impunidade como forma de combater a corrupção.
O momento era realmente tão marcante que poucos terão sido os cidadãos que mantiveram-se duvidosos quanto ao cumprimento da referida promessa, além de outras. Embora eu evite falar de mim, não vejo como não me incluir entre os Tomés que “preferem ver para crer” o cumprimento da promessa feita, até porque (para quem não me conhece aqui vai outro dado pessoal), em função do meu temperamento (sanguíneo? colérico? fleumático? melancólico?), nunca fui dado a euforia e a entusiasmo manifestados por muito boa gente.
Embora, como humano eu possa expressar emoções, tendo sempre a submete-las a razão e, conforme veremos, penso ser esta a melhor atitude que se deve ter, principalmente num país como este que regista momentos de excitação provocada por políticos.
Mantendo o foco no assunto, estamos claramente de acordo de acordo de que os quatro meses de exercício do poder do novo PR são insuficientes para cumprir com a promessa feita durante a sua campanha eleitoral durante a qual conquistou o apoio popular e continua a tê-lo.
Contudo, passada a lua-de-mel, a euforia e o entusiamo popular parecem terminado, estando a agora o povo a questionar-se se realmente o discurso será transformado em acção.
E há motivos para que assim seja, sendo de destacar, entre outros, a acusação de que tanto a anterior administração do Fundo Soberano quanto a da Sonangol terão desviado valores elevados para, presume-se, em benefício pessoal. Na sequência, assistiu-se nas redes a defesa pessoal feita por uma das pessoas acusadas que teria dado a entender que estava em curso uma perseguição contra si…
Sendo o combate a impunidade o discurso que cativou o apoio e a alma do povo que na sua maioria elegeu o «combatente da impunidade», e parecendo haver vontade de combater este mal, espera-se que desta vez sejam apurados os factos e responsabilizados os seus autores (morais e materiais). E que deixemos de assistir a simples acusações e defesas feitas em hasta pública.
Isto porque, o combate a corrupção não se faz com discursos, mas, sim, com investigação/apuramento dos factos, instrução de processos, julgamentos e, por último, condenação ou absolvição.
O receio é que isto não venha a acontecer e que prevaleça a tendência actual que consiste em atacar/acusar e defender-se. A ser assim, o combate à impunidade será mais um momento de euforia, entusiamo, portanto, passageiro, previamente concebido com o propósito de iludir o povo. E o que dirá este? “Que os iguais protegem-se”. Porque, queixar-se ao porco, é o mesmo que queixar-se ao javali (Sabedoria Popular).