Intelectuais arrogantes, orgulhosos ou prepotentes?

Existe um credo popular segundo o qual gente letrada tende a ser arrogante. Uma vez que as generalizações são enganosas, o correcto será pensar que esta afirmação aplica-se a apenas a alguns intelectuais cujo comportamento leva a que se chegue a esta conclusão.
E havendo necessidade de sustentar a «tese popular», nada melhor do que reflectir no (1) episódio protagonizado por um professor que não admitindo que o estudante (educadamente) o corrija, atira-se contra este dizendo que “tu não estás no meu nível!”, ou ainda (2) na disposição manifestada por uma grande sumidade em subir ao ring com o estudante que supostamente lhe retirava autoridade na sala de aula.
Que a academia é “um mundo cheio de pessoas muito orgulhosas, prepotentes”, isto não se dúvida. Que o diga o professor (ele mesmo um intelectual) que usou estas palavras para dar a conhecer a outra faceta da universidade ao seu estudante que acabava de entrar nesta instituição.
Neste festival de delírios pela ‘’(re) afirmação’’ da posição, prestígio e autoridade (incontestável?) adquiridos pelo título e a fama, encontramos também intelectuais que sentindo-se como verdadeiros semi-deuses, ou como diria alguém, Vice-Deus, nem sequer respondem a saudação dos seus «súbditos». E quando o fazem, o comportamento contrasta com a imagem que o leitor traz consigo depois de ter lido a «obra-prima» da autoria dos mesmos.
É o caso, entre muitos, de uma renomada intelectual que sendo saudada várias vezes, mantinha-se no mais absoluto silêncio. E quando saiu deste, não hesitou em disparar as balas que trazia consigo: “eu não tenho muito tempo para falar, sou muito ocupada”. 
A ilustre intelectual nem sequer tinha noção de que o motivo do contacto que se pretendia manter consigo era nada mais do que uma abordagem sobre algumas questões analisadas em alguns dos seus livros, por via dos quais passou a ser admirada pelo ilustre desconhecido. 
Será esta postura que espera de um (a) intelectual?
Que certos intelectuais desejam ser glorificados, honrados, disto não se duvida. Igualmente não se duvida que alguns sejam estranhos. Mas, quando o comportamento dos mesmos fica aquém do esperado, à margem dos princípios da boa convivência social, questiona-se se ainda são dignos de serem tratados como intelectuais e se ainda têm algum valor na sociedade.

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